Há quem diga (marco antonio dixit) que é da mais elementar justiça termos para com o senhor ministro das obras públicas alguma dose de compreensão e benevolência. Eu não vejo a coisa assim. A meu ver não são compreensão e benevolência que lhe devemos. Mas sim um elevado agradecimento. Se não, vejamos.Porque é que, de repente, apareceram dois ou três estudos sobre alternativas à OTA? Lembre-se que foram esses estudos, especialmente o da CIP, que obrigaram o governo a encomendar o estudo decisivo do LNEC. Sem o qual teríamos hoje a OTA como uma fatalidade indesejável, mas sem alternativa viável. Logo, uma certeza.
Ora, o estudo da CIP só apareceu exactamente por causa do "enorme" empenho do senhor ministro na defesa da OTA. Exactamente por que o senhor ministro, na celebre palestra na Ordem dos Economistas, mas não só aí, defendeu que "na margem sul, jamé!" e recorreu a infelizes e despropositadas metáforas do foro médico. Se ele não tivesse tido aquele tão infeliz desempenho, acham que se teria continuado a falar assim tanto no caso do Novo Aeroporto? Creio que se falaria muito menos. E, nesse caso, aí sim, a OTA teria sido agora apresentada como uma inevitabilidade.Razões pelas quais eu acho - mas isto sou eu a achar, que ainda iremos um dia agradecer ao senhor ministro o seu enorme papel nesta decisão de trazer "o Aeroporto da OTA para a margem sul". Digo eu.



