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15.1.08

A vergonha mora no quintal da Europa



Há coisas que preferimos ignorar. Fazer de conta que não existem. Damos por nós a pensar que é lá longe. Que não é nada connosco.

Às vezes fazemos bem. É uma forma de nos defendermos das maldades e fealdades deste mundo. Reconheço que faço isso muitas vezes. Talvez demasiadas, não sei. Penso que todos o fazemos. Preferimos focar-nos naquilo que é positivo. No que é para nós mais importante. Nas coisas do nosso quotidiano. Aquelas que estão aqui mais perto. Preocupamo-nos mais com as coisas e pessoas de que(m) mais gostamos. E com aquilo que podemos influenciar positivamente, ainda que de forma indirecta ou por vezes ténue.

É por isso que talvez não devesse falar-vos deste post, publicado no blogue "Sem Muros", de Miguel Portas. Trata um assunto que já não devia acontecer. Retrata uma sociedade longínqua, digo eu. Mas que talvez um dia, se nos descuidamos, ainda vem pedir-nos explicações.

Para quem pretenda saber mais sobre estas questões, tente ler o livro "Entrevistas no Centro do Mundo", de Henrique Cymerman, com prefácio de Jorge Sampaio. É um livro imperdível para perceber o que por ali se passa. Digo eu, que já o li com atenção.

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12.12.07

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Um blogue especializado sobre livros, escritores e informações diversas sobre o mundo da escrita, da oferta editorial e da indústria do livro ...




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7.12.07

O que tem o SUDOKU a ver com a nossa I Liga de Futebol?


O

lá caro leitor. Se por acaso estiver com muita pressa (pode dar-se o caso, isto hoje em dia andamos todos cheios de pressa), então é melhor deixar esta leitura para mais tarde. É um post um bocado extenso ... e ainda por cima mistura assuntos como Futebol, Matemática, Sorte e Sudoku. No entanto, se decidir continuar então clique aqui por baixo no "Ver mais" e vamos a isso.



Bem, já vi que decidiu continuar a ler; então bora lá. Mas para que a leitura seja mais fácil, experimente por a tocar umas das músicas ali da barra lateral.

À pergunta do título deste post, acredito que você responderá: não tem nada a ver! E, se calhar, tem razão, mas só de um ponto de vista futebolístico. O SUDOKU não se joga com bola e, nessa perspectiva, são coisas muito diferentes. Mas será mesmo assim, ou seja, não terão nada a ver uma coisa com a outra? Vejamos.

Já pensou porque razão o seu clube de eleição, digamos, o Benfica (com esta escolha, tenho 60% de probabilidades de acertar no seu clube), joga na 1ª jornada em casa, no bonito Estádio da Luz, com o Setúbal, na 2ª jornada joga fora com o Belenenses … e por aí adiante? Já sei o que está a pensar: é porque o sorteio assim definiu. Exactamente, é por causa do sorteio. E como é feito o sorteio? Já pensou nisso? Bem, se calhar estou aqui com estas coisas e você sabe melhor que eu como se fazem estes sorteios. Mas o que lhe quero dizer é algo diferente.

Na realização do sorteio, que é feito muito antes de iniciada a época futebolística, o que se faz é apenas atribuir a cada clube um determinado número, entre 1 e 16 (porque são 16 clubes no total, acho eu). Sabendo esse número que lhe foi atribuído e os que foram atribuídos a cada um dos oponentes, os representantes do seu Benfica (e, claro, também de cada um dos outros clubes) saberão logo quais os adversários que vai defrontar em cada jornada, do princípio ao fim do campeonato, bem como quais os jogos em casa e fora.

É, na verdade, uma forma muito simples de realizar sorteios. Mas, afinal, perguntará o amigo leitor, onde é que entra aqui o SUDOKU?
A questão é que, por detrás da elaboração do “calendário dos jogos", está uma grelha que inclui todos os números de 1 a 16, distribuídos por 15 jornadas (cada um dos clubes joga com 15 adversários, sendo que a segunda metade do campeonato é, para este efeito, idêntica à primeira). E para criar essa grelha são utilizados os mesmos princípios matemáticos que servem para criar as grelhas do jogo SUDOKU (Ah, então era isso? Já podia ter dito! ...).

Para os interessados ou mais curiosos, adianto que a essas grelhas se dá o nome de “quadrado latino” e foram descritas no Sec. XVIII pelo matemático Leonard Euler (um dos maiores matemáticos de sempre). Já agora, será interessante referir que, embora as grelhas do jogo SUDOKU tenham origem em teorias matemáticas, a resolução do jogo em si apenas utiliza a lógica e nada tem a ver com procedimentos matemáticos propriamente ditos. Aliás, o facto de o jogo se realizar com dígitos numéricos (“números de 1 a 9”) é apenas uma questão de facilidade na leitura dos símbolos. O SUDOKU poderia utilizar 9 cores diferentes em vez dos números, ou 9 letras ou quaisquer outros símbolos, que em nada alteraria os seus fundamentos nem a forma de resolução.

Já agora outra coisa: tem a ver com a “Sorte”. É comum dizer-se que num determinado jogo o clube X teve sorte ou teve azar, normalmente para nos referirmos aos resultados do próprio jogo. Mas a verdadeira sorte, ou falta dela, começa a desenhar-se logo na realização do sorteio. De facto, do ponto de vista de cada clube, não é indiferente jogar na 1ª jornada em casa ou fora, tal como não é a mesma coisa jogar primeiro com o adversário Y ou Z. As equipas têm fases boas ou más ao longo do campeonato e é diferente jogar com cada uma nas suas fases boas ou menos boas. A sorte, portanto, é “conseguir” jogar com determinado adversário quando ele está, teoricamente, menos forte. Ora isso, é ditado pelo sorteio. Será isso a “Sorte” no futebol? Talvez, não sei.


Mas será que podia ser diferente? Ou seja, a grelha utilizada para dispor os jogos é única? Ou a calendarização dos jogos podia ser diferente, na medida em que existiriam outras possibilidades de construção da grelha? E a resposta, curiosamente, é: ninguém sabe exactamente de quantas formas diferentes se poderia sortear um campeonato de futebol como o nosso, com 16 equipas. Mas esse número é, seguramente, superior a 10^100 (10 elevado a 100, isto é, muitos milhões de possibilidades). Curioso, não é?

E é também aqui que se pode jogar muito da sorte ou falta dela do próprio campeonato. Digo eu, sei lá.
Logo, para terminar, direi que a sorte não está no jogo propriamente dito (se a bola entrou ou foi ao poste), mas sim no sorteio inicial. Humm ... quer-me parecer que você não ficou muito convencido, pois não? Então diga de sua justiça ali por baixo, nos comentários. Vá, fico à espera.

Já agora, vejo que não seguiu o meu conselho do 1º parágrafo. Fico agradecido. E espero que tenha valido a pena este seu esforço. Oxalá que sim.

Fonte de inspiração para este post:
Jorge Buescu, “O fim do mundo está próximo?”, Editora Gradiva, 1ª edição, Maio de 2007


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3.12.07

Feira do Livro


Até ao dia 9 de Dezembro ainda pode aproveitar a Feira do Livro, a decorrer no Auditório Municipal de Vendas Novas.

Eis uma boa oportunidade para adquirir as suas prendas de Natal.

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20.11.07

Leitor electrónico de bolso da Amazon


O grupo Amazon lançou o Kindle, um leitor electrónico sem fios do tamanho de um livro normal, onde se podem ler livros, revistas, jornais e blogues. Será que um dia iremos todos andar com um aparelhómetro destes no bolso?

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18.11.07

Livros a ter em atenção


Este é um livro sobre a nossa realidade nos últimos anos. Só por essa razão, já não será de leitura fácil, tal como fácil não é a nossa realidade actual.

Para quem se interessa por estas coisas da Economia, dos tipos de governação e da visão para o futuro ou da falta dela, este é um livro imprescindível. A meu ver, claro.

Mas atenção, trata-se de uma leitura que não faz bem ao ego. É, ainda assim, altamente aconselhável.

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15.10.07

Uma boa prenda de Natal


Foi há pouco tempo editado o Livro "Rádio Granada / Granada FM", da autoria de Artur Aleixo Pais e edição "Granada FM", o qual retrata as duas décadas de existência desta "voz que há 20 anos se faz ouvir em Vendas Novas".

Soube que ainda estão por vender largas centenas de exemplares, o que se torna algo preocupante, imagino eu, para quem se deu a tanto trabalho e em boa hora decidiu editar esta obra. Obra essa que conta uma parte da História de Vendas Novas. Eu já a li e gostei dos conteúdos.

Assim sendo, deixo aqui esta ideia que é apenas uma forma de ajudar a Rádio Granada: "vamos transformar este livro numa prenda para o próximo Natal".

Contactos:
  • telefone 265 892 402
  • email "granadafm@sapo.pt"
  • ou na sede da Rádio Granada (edifício da Casa do Povo)

"Comprar este livro (10 euros), será uma
boa forma de apoiar a nossa única rádio local.
"

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26.9.07

101 Erros Fatais à Carreira de Qualquer Mulher



Este post é só para as leitoras. Os homens, desta vez, ficam de fora.


"As boas raparigas não sobem na vida" é o título do livro que hoje vos trago. Ofereci-o nas férias de Verão à minha mulher, que o tem andado a ler com bastante interesse. Pelo que me tenho apercebido, trata-se de um livro com muito interesse ... para as mulheres. Eis alguns exemplos de "erros" ali abordados:


  • Erro nº 3: matar-se a trabalhar;
  • Erro nº 8: esperar que lhe dêem o que pede de mão beijada;
  • Erro nº 38: pôr o trabalho á frente da vida pessoal;
  • Erro nº 59: pedir licença por tudo e por nada;
  • Erro nº 78: não usar maquilhagem nenhuma ou andar toda enpinocada;
  • Erro nº 88: convencer-se de que os outros sabem sempre mais;
  • etc., etc., etc..


"A autora - Lois P. Frankel, doutorada em Psicologia, analisa aqui uma série de comportamentos típicos - 101 ao todo - cujas consequências podem ser desastrosas. E, para cada um deles, sugere o antídoto adequado."

Eu, se fosse mulher, haveria de querer ler este livro. Digo eu, sei lá.

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11.9.07

Roma foi a primeira grande multinacional da História



Um dos livros cuja leitura mais prazer me deu nos últimos tempos dá pelo nome de "Roma, S.A.". Da autoria de Stanley Bing, norte-americano e vice-presidente da CBS, o qual compara neste livro a epopeia de Roma às grandes empresas multinacionais da actualidade.


"Rómulo e Remo foram os 2 primeiros CEO's da história - os Bill Gates e Steve Jobs da antiguidade. Juntos lançaram as bases da mais bem sucedida corporação multinacional: Roma."


"Como foi possível que Roma tenha conseguido sobreviver tanto tempo ...?"
A resposta do próprio autor é esta: "Roma manteve-se viva porque foi abençoada por uma série de gestores altamente eficientes, criativos e sem escrúpulos ..."

Além disso, deixa-nos ainda a ideia de que o segredo para a longevidade de qualquer grande empreendimento está na sua capacidade de crescer e de se transformar. E isso, Roma conseguiu-o durante séculos.


Por fim, adianta Stanley Bing que esta receita
"só funcionou enquanto o império era administrado por CEO's como Júlio César e Octávio Augusto. À medida que estes deram lugar a figuras de topo corruptas, como Calígula e Nero, a mais eficiente multinacional da história teve o triste destino da Enron ou da Worldcom ..."

A última parte do livro também merece uma leitura atenta, pois são deveras interessantes as pistas avançadas pelo autor. Deixo isso à vossa curiosidade.

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6.9.07

Um ciclone na sua casa de banho



Pensava eu que estava livre de ciclones, regiões de baixas pressões e outras turbulências do género. Afinal, vai-se a ver, tenho um ciclone mesmo na minha casa. Mais propriamente, na casa de banho. Espantoso. E tudo isto sem eu o saber, ... até ontem.

O amigo leitor deve ter ficado admirado e, de certeza, muito céptico em relação ao que leu. Não me admiro. Eu também ficaria. Mais duvidoso ficará se eu lhe disser que, se calhar, o mesmo se passa consigo. Ou seja, talvez você também tenha um ciclone na sua casa e não saiba disso. Eu passo a explicar.


Começo por dizer que o culpado disto tudo é um senhor que dá pelo nome de Jorge Buescu, pois tive conhecimento deste fenómeno através do seu livro de divulgação de ciência - "O Fim do Mundo Está Próximo?".

Num dos capitulos ("O caso do chuveiro assombrado"), o autor conduz-nos através daquela situação que se caracteriza, durante um duche na banheira, pelo facto de a cortina ter tendência para se colar ao nosso corpo. Pensava eu, na minha ignorância sobre o assunto, que tal se devia à diferença de pressão entre a parte de dentro e a parte de fora da banheira (mais concretamente da cortina), por causa da ascenção do ar aquecido pelo duche, no interior da banheira.


Verm agora Jorge Buescu explicar-nos que não! não se deve a nada disso, porque o efeito é o mesmo ainda que o duche seja com água fria (ora eu, não sei porquê, nem tinha reparado nesse pormenor). O fenómeno, que foi descoberto por David Schmidt, deve-se ao facto de se criar uma espécie de vórtice cujo centro, tal como o centro de um ciclone, ser uma região de baixas pressões. Ou seja, quando você toma um duche, isso acaba por originar a criação de um pequeno ciclone vertical na sua casa de banho e é isso mesmo que provoca a sucção da cortina do chuveiro.

Palpita-me que o amigo leitor, tal como eu, não sabia disto. E também como eu, é bem provável que se lembre do fenómeno no seu próximo duche.


David P. Schmidt é um jovem engenheiro mecânico, Professor Associado de Engenharia Mecânica e Industrial na Universidade de Massachusetts.

Jorge Buescu é português e Professor na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa. É licenciado em Física, Mestre e Doutorado em Matemática e autor de dezenas de artigos científicos e de mais de uma centena de artigos perdagógicos e de divulgação.

Dos seus 5 livros publicados, já li e aconselho vivamente os 3 que foram editados entre nós:
O Mistério do Bilhete de Identidade e Outras Histórias (2001)
Da Falsificação de Euros aos Pequenos Mundos (2005)
O Fim do Mundo Está Próximo? (2007)

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