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7.12.07

O que tem o SUDOKU a ver com a nossa I Liga de Futebol?


O

lá caro leitor. Se por acaso estiver com muita pressa (pode dar-se o caso, isto hoje em dia andamos todos cheios de pressa), então é melhor deixar esta leitura para mais tarde. É um post um bocado extenso ... e ainda por cima mistura assuntos como Futebol, Matemática, Sorte e Sudoku. No entanto, se decidir continuar então clique aqui por baixo no "Ver mais" e vamos a isso.



Bem, já vi que decidiu continuar a ler; então bora lá. Mas para que a leitura seja mais fácil, experimente por a tocar umas das músicas ali da barra lateral.

À pergunta do título deste post, acredito que você responderá: não tem nada a ver! E, se calhar, tem razão, mas só de um ponto de vista futebolístico. O SUDOKU não se joga com bola e, nessa perspectiva, são coisas muito diferentes. Mas será mesmo assim, ou seja, não terão nada a ver uma coisa com a outra? Vejamos.

Já pensou porque razão o seu clube de eleição, digamos, o Benfica (com esta escolha, tenho 60% de probabilidades de acertar no seu clube), joga na 1ª jornada em casa, no bonito Estádio da Luz, com o Setúbal, na 2ª jornada joga fora com o Belenenses … e por aí adiante? Já sei o que está a pensar: é porque o sorteio assim definiu. Exactamente, é por causa do sorteio. E como é feito o sorteio? Já pensou nisso? Bem, se calhar estou aqui com estas coisas e você sabe melhor que eu como se fazem estes sorteios. Mas o que lhe quero dizer é algo diferente.

Na realização do sorteio, que é feito muito antes de iniciada a época futebolística, o que se faz é apenas atribuir a cada clube um determinado número, entre 1 e 16 (porque são 16 clubes no total, acho eu). Sabendo esse número que lhe foi atribuído e os que foram atribuídos a cada um dos oponentes, os representantes do seu Benfica (e, claro, também de cada um dos outros clubes) saberão logo quais os adversários que vai defrontar em cada jornada, do princípio ao fim do campeonato, bem como quais os jogos em casa e fora.

É, na verdade, uma forma muito simples de realizar sorteios. Mas, afinal, perguntará o amigo leitor, onde é que entra aqui o SUDOKU?
A questão é que, por detrás da elaboração do “calendário dos jogos", está uma grelha que inclui todos os números de 1 a 16, distribuídos por 15 jornadas (cada um dos clubes joga com 15 adversários, sendo que a segunda metade do campeonato é, para este efeito, idêntica à primeira). E para criar essa grelha são utilizados os mesmos princípios matemáticos que servem para criar as grelhas do jogo SUDOKU (Ah, então era isso? Já podia ter dito! ...).

Para os interessados ou mais curiosos, adianto que a essas grelhas se dá o nome de “quadrado latino” e foram descritas no Sec. XVIII pelo matemático Leonard Euler (um dos maiores matemáticos de sempre). Já agora, será interessante referir que, embora as grelhas do jogo SUDOKU tenham origem em teorias matemáticas, a resolução do jogo em si apenas utiliza a lógica e nada tem a ver com procedimentos matemáticos propriamente ditos. Aliás, o facto de o jogo se realizar com dígitos numéricos (“números de 1 a 9”) é apenas uma questão de facilidade na leitura dos símbolos. O SUDOKU poderia utilizar 9 cores diferentes em vez dos números, ou 9 letras ou quaisquer outros símbolos, que em nada alteraria os seus fundamentos nem a forma de resolução.

Já agora outra coisa: tem a ver com a “Sorte”. É comum dizer-se que num determinado jogo o clube X teve sorte ou teve azar, normalmente para nos referirmos aos resultados do próprio jogo. Mas a verdadeira sorte, ou falta dela, começa a desenhar-se logo na realização do sorteio. De facto, do ponto de vista de cada clube, não é indiferente jogar na 1ª jornada em casa ou fora, tal como não é a mesma coisa jogar primeiro com o adversário Y ou Z. As equipas têm fases boas ou más ao longo do campeonato e é diferente jogar com cada uma nas suas fases boas ou menos boas. A sorte, portanto, é “conseguir” jogar com determinado adversário quando ele está, teoricamente, menos forte. Ora isso, é ditado pelo sorteio. Será isso a “Sorte” no futebol? Talvez, não sei.


Mas será que podia ser diferente? Ou seja, a grelha utilizada para dispor os jogos é única? Ou a calendarização dos jogos podia ser diferente, na medida em que existiriam outras possibilidades de construção da grelha? E a resposta, curiosamente, é: ninguém sabe exactamente de quantas formas diferentes se poderia sortear um campeonato de futebol como o nosso, com 16 equipas. Mas esse número é, seguramente, superior a 10^100 (10 elevado a 100, isto é, muitos milhões de possibilidades). Curioso, não é?

E é também aqui que se pode jogar muito da sorte ou falta dela do próprio campeonato. Digo eu, sei lá.
Logo, para terminar, direi que a sorte não está no jogo propriamente dito (se a bola entrou ou foi ao poste), mas sim no sorteio inicial. Humm ... quer-me parecer que você não ficou muito convencido, pois não? Então diga de sua justiça ali por baixo, nos comentários. Vá, fico à espera.

Já agora, vejo que não seguiu o meu conselho do 1º parágrafo. Fico agradecido. E espero que tenha valido a pena este seu esforço. Oxalá que sim.

Fonte de inspiração para este post:
Jorge Buescu, “O fim do mundo está próximo?”, Editora Gradiva, 1ª edição, Maio de 2007


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14.9.07

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