15.1.08

Herculano António - barbeiro de profissão




"Sabe? Já sou barbeiro há 56 anos!
Fez agora mesmo no dia 2 de Janeiro!"


O senhor Herculano António tem orgulho em ser barbeiro. Nota-se pela forma como desenvolve a conversa e explica como começou nesta arte: "Eu ainda hoje sou pequeno de estatura, mas quando comecei aos 12 ou 13 anos nem chegava à cabeça dos clientes. Então o meu pai punha-me em cima dumas caixas de madeira, daquelas que levavam as barras do sabão azul, que era para eu conseguir cortar os cabelos".

Foi na Barbearia do seu pai - Josué António, barbeiro nas Silveiras, que começou a aprender este ofício. Depois ainda experimentou trabalhar numa barbearia que existia na Rua Direita, em Montemor-o-Novo, muito perto da Igreja Matriz. Mas, diz ele, "só lá estive uns poucos meses e voltei para as Silveiras". Dali, acabou por vir morar para Vendas Novas, onde abriu a sua própria barbearia. Foi no já longínquo ano de 1960 - "fez agora 48 anos".

"Quando comecei, cortar a barba e o cabelo custava 4$00, que era 2$50 do cabelo e 1$50 da barba". Diz-me também o Sr. Herculano, hoje com 68 anos de idade, que "antigamente esta profissão só o que tinha de bom era que não se apanhava sol nem chuva. Mas ganhava-se muito pouco, só depois do 25 de Abril é que os preços começaram a aumentar um pouco mais."

Como que para confirmar isso mesmo, mostrou-me um precioso e antigo Livro de Apontamentos - uma verdadeira relíquia, onde tinha por hábito resumir os preços praticados e os ganhos obtidos diariamente. Isto, desde os idos anos da década de 60 e no qual não faltam, digamos assim, os nomes de quem tinha maior dificuldade em lembrar-se do pagamento do serviço prestado.

Eis alguns dos preços que foi anotando, para o Corte de Cabelo: 4$00 (no ano de 1960), 25$00 (em 1973), 30$00 (1975), 180$00 (1985), 700$00 (1995) e 5,00€ (cerca de 1.000$00) em 2005.

O Sr. Herculano é de opinião que esta profissão de Barbeiro, tal como ele ainda a pratica, não tem grande futuro. "Hoje em dia é mais as Cabeleireiras e os Cabeleireiros, as coisas estão diferentes". No entanto, adiantou, sempre teve muitos clientes fixos, tal como ainda hoje acontece.

Da sua barbearia situada numa zona muito movimentada de Vendas Novas, na confluência da Rua Alexandre Braga com a Avenida Marechal Craveiro Lopes, o Sr. Herculano - barbeiro de profissão, tem assistido à evolução dos tempos, ao crescimento da população e ao desenvolvimento da terra que abraçou como sua.


A forma como acolheu a minha proposta para "falarmos um bocado e tirar umas fotografias" evidencia a sua grande simplicidade e simpatia. As mesmas que tem por hábito disponibilizar aos seus clientes, que não deixa de actualizar em relação às novidades do momento pois, na sua barbearia o "jornal do dia" é desde há muito uma presença obrigatória.

Muito obrigado ao amigo Herculano António - com barbearia em Vendas Novas desde há quase meio século. Obrigado também por ter amavelmente permitido a publicação destas fotos.



3 comentários:

Marco António disse...

... / ...

Conheço o Sr. Herculano anteriormente à abertura da sua barbearia, talvez dos tempos em que ele ou o irmão, ou ambos, e se a memória não me atraiçoa, fazia um “part-time” a cortar os cabelos aos alunos internos dos Salesianos, e conheço a barbearia do Sr. Herculano desde o dia da sua inauguração; a distância que separa a barbearia do Sr. Herculano da antiga casa dos meus pais está á distância do atravessar a Rua Alexandre Braga, tão longe quanto isso…

Muitas vezes lá cortei o cabelo mas, confesso, nunca fui um cliente muito assíduo até porque à época frequentava o liceu em Setúbal e como era normal num adolescente de 12 ou 13 anos, tentava seguir os ditames da moda em matéria de cortes de cabelo e não só…

Recordo-me que o meu pai, seu homónimo, muitas vezes lá cortou o cabelo, bastante mais assiduamente do que eu, e o meu irmão mais velho também lá foi cliente, toda a família masculina, portanto.

Queixa-se o Sr. Herculano de que à época os preços eram baixos e ganhava-se pouco, bom, isso era um mal mais ou menos generalizado; haveria uma outra variável que na “indústria dos cortes capilares”, à época barbeiros, condicionaria a rentabilidade do negócio e que teria a ver com o elevado número de barbeiros “per capita”: poucas cabeças face ao número de barbeiros existentes.

De resto, a proliferação de barbearias e de barbeiros -em competição, directa, com as tabernas e os taberneiros - existente à época, era denunciador de que o negócio, em si mesmo, seria susceptível de ser aliciante em termos de retorno económico, para além do não apanhar chuva, ser mais limpo e ter um horário de trabalho mais reduzido, mas que por via da elevada concorrência existente tornar-se-ia pouco rentável. A população de Vendas Novas não é menor, penso eu, do que há 50 anos, mas o número de barbearias e de barbeiros hoje existentes, pelo que me é dado constatar, é incomensuravelmente menor.

O Sr. Herculano é um exemplo de longevidade profissional mas que está muito longe de, com a minha idade, poder contrariar a minha tese: vale muito mais um mau dia de Golf, do que um bom dia de trabalho…

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