14.9.07

Encerramento dos SAP´s




Não concordo com o que escreveu Vital Moreira no blogue Causa Nossa, a propósito do encerramento dos SAP´s. Compreendo-o, mas não concordo. Desconheço o caso da Régua, mas sei o que se passou em relação a Vendas Novas.


Começo por dizer que não me incluo em nenhum dos grupos que refere, nem tenho preconceitos políticos em relação a ninguém.

O caso em concreto de Vendas Novas era, e continua a ser, um grave erro em termos decisórios. Tenho as minhas dúvidas sobre se, neste caso, os decisores políticos e os elementos da "Comissão Técnica" terão apoiado as suas decisões e relatórios em algo mais que indicadores estatísticos. Tenho as minhas dúvidas sobre se conhecem as realidades sobre as quais se debruçaram e decidiram, designadamente geográficas, populacionais e de dinamismo ao nível do crescimento económico e respectivas consequências sobre as dinâmicas populacionais.

Claro que Vital Moreira não é obrigado a saber isso. Mas poderia, a meu ver, ter em atenção que nem todos os casos são iguais. Cada caso é um caso. Nos cuidados de saúde à população, como em muitas outras coisas. Em minha opinião, fará mal se puser todos os casos no mesmo saco. Normalmente, isso não é boa ideia. Neste caso, também não.

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Post original publicado no blogue "Causa Nossa":

Recordando o que diziam antes
Aquando da resistência local contra o encerramento das (falsas) "urgências" (na verdade, os "Serviços de Atendimento Permanente"), o caso da Régua foi um daquelas em que as forças locais, a começar pelo presidente da CM, maior oposição levantaram. Este episódio demonstra que o encerramento se impunha...

A propósito, os média, que tanto cobertura deram à oposição contra a reforma dos serviços de urgência, já se deram porventura ao trabalho de investigar se se verificaram as horrendas consequências que alegadamente resultariam do encerramento dos SAP?


E os que apressadamente, ou por preconceito político, viram nisso mais uma peça do plano de "destruição do SNS", mantêm essa opinião? [Publicado por vital moreira] 13.9.07
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2 comentários:

Flor disse...

Olá a todos!

É bom voltar ao vosso convívio depois de uma pausa que deu para descansar, meditar e ler, ler muito, porque eu gosto de "saborear" o que leio...

Mas temos que voltar à realidade!

O que se tem feito com o encerramento dos SAP's, a torto e a direito, sem se olhar a casos específicos, é de uma total falta de solidariedade para com os mais desafortunados. Nunca imaginei que um PS (que se arvorou de HUMANISTA- SOLIDÁRIO- FRATERNO), faça tábua rasa quando está no Poder.

Só se devia mexer nos direitos sociais quando se tivessem esgotado todas as formas de poupar dinheiro noutros quadrantes e nas mordomias que muitos ainda têm, digo eu.

Marco António disse...

Já escrevi bastante, talvez demasiado, sobre o SAP de Vendas Novas mas, ainda assim, não resisto a deixar aqui, de forma sintética (?) e esquematizada, aquilo que eu penso sobre o sistema de saúde vigente e que eu, não obstante de ser um raríssimo utilizador, considero mau e obsoleto, e aquele que está a ser implemento:

1º. Não descarto totalmente a hipótese de estarem subjacentes aspectos económicos a esta profunda alteração que se pretende efectuar no SNS o que, a ser verdade e por si só, não merece qualquer crítica se forem, devidamente, salvaguardados os interesses das populações sendo, no entanto, minha convicção de que o objectivo primeiro deste projecto se ficará muito mais a dever á melhoria qualitativa que se pretende introduzir no SNS do que, propriamente, aos aspectos puramente economicistas;

2º. Há uma manifesta falta de médicos em Portugal, situação que se agrava por ausência de uma optimização dos parcos recursos disponíveis face ao sistema vigente;

3º. A medicina preventiva, tão importante como a medicina curativa, peca por falta de cultura de todos nós e, sobretudo, dos políticos que nos têm governado, tomando como paradigma o facto da estomatologia estar fora do SNS e Portugal ser, por esse facto, um país de desdentados…

4º. Optimizar a rede nacional de saúde, aumentar a sua capilaridade de forma a chegar a todas as regiões do interior, incentivar as populações – criando, obviamente, os meios necessários à sua exequibilidade -, à prática da medicina preventiva com consultas regulares e periódicas e recurso aos mais elementares meios auxiliares de diagnóstico de modo a que possamos ser um país de gente saudável e, acima de tudo, muito mais preocupada em sê-lo por muito tempo;

5º. A medicina de urgência e, muito particularmente, a de emergência, dadas as suas especificidades e multiplicidades, elevada qualificação exigida aos meios humanos intervenientes, diversidade e elevados custos dos equipamentos de diagnóstico e dos respectivos técnicos, são argumentos mais do que suficientes para entender e ter de aceitar, por muito que nos custo emocionalmente, que um Serviço de Urgências -não um consultório médico, ou qualquer coisa similar, aberto 24 horas por dia, isso é outra coisa! – dificilmente poderá ser, tal como eu reivindico para a medicina preventiva e curativa, um serviço de grande proximidade/capilaridade.

Face ao que acabei de expor, e consciente desta realidade, entendo que as situações de urgência e de emergência, felizmente não tantas como isso, e seria bom que não existissem nenhumas, terão de passar, à luz da racionalidade, por meios de transporte, rápidos e eficazes, para unidades centrais de saúde apetrechadas com todos os meios técnicos e humanos exigíveis a uma unidade desse tipo, em vez de, por razões de ordem puramente emocional, se ter a veleidade de pretender ter uma unidade de saúde, igual ou similar a uma unidade central, à porta de cada uma das nossas casas…

Por mim, fica bem claro que numa situação de urgência ou emergência dou muito maior relevo à presença, rápida, de uma ambulância, ou helicóptero nas situações mais graves, bem apetrechados com os meios de suporte à vida, técnicos e humanos, e que depois do doente estabilizado, e se necessário, seja transportado para uma unidade de saúde onde a sua recuperação possa ser levada a cabo.

Não se entenda da minha prelecção que concordo, em absoluto, com tudo o que foi, está, ou virá a ser feito nesta matéria; as minhas convicções são, puramente, de ordem técnica e não partidárias, reconhecendo que existem alguns erros de metodologia, timing e, sobretudo, de deficiente informação, o que, não comprometendo totalmente o projecto, é susceptível de lhe causar algumas “mazelas”, perfeitamente evitáveis, e que só o tempo ajudará a cicatrizar.

O caso de Vendas Novas é uma importantíssima “pedra” de um vasto puzzle, que deve ser tratado com muito cuidado nos locais, timings e pessoas certas, e onde qualquer coisa que, porventura, se venha a verificar a descontento das populações locais, não será motivo bastante e suficiente para por em causa a qualidade e exequibilidade desse vasto puzzle que a muitos mais interessa.