13.9.07

Madeleine McCann




Não acredito! Não posso querer que aos pais de Madeleine McCann possam ser atribuídas culpas directas no seu desaparecimento. Não há lógica na formulação de tal hipótese. Ainda que alguns indícios aparentemente não lhes sejam favoráveis.

O que é que nós, consumidores de notícias e adeptos de conjecturas transmitidas através de jornais, rádios e TV´s sabemos deste caso? A resposta só pode ser: pouco, muito pouco, quase nada! Mas julgamos saber muito. Julgamos até saber o suficiente para ajudar a que se consuma o tão apreciado julgamento na praça pública. Que já começou.

A uma primeira fase em que se gerou uma enorme onda de solidariedade, estamos a agora a passar para uma outra, de julgamento popular. Fazemos mal. Nem nós, nem sequer os meios de comunicação sabemos o suficiente para termos uma opinião consolidada. Aliás, o que me parece, pelos indícios que observo, é que nem os meios policiais/de investigação detém informação fidedigna que lhes permita tirar conclusões. Pelo menos por enquanto. Têm indícios. Não me parece que tenham mais que isso.

É bom que saibamos todos aguardar pelos resultados das investigações. Se os houver. E não entrarmos em processos antecipados de pseudo-histeria colectiva que não levam a lado nenhum. Seja o que for que aconteceu, há-de saber-se. Talvez. Mais cedo ou mais tarde. Se calhar, mais tarde que cedo. Ou nunca. Digo eu.



4 comentários:

BENFICA FC disse...

Já comentei aqui no Blog um post do MQF sobre este caso.
Acrescentaria apenas que entre a perspectiva muita possível de não se vir a saber mais nada e outra perspectiva contrária de, por sorte ou mérito da investigação, se vir a descobrir o que aconteceu, acho que os McCann não terão, nos próximos tempos, uma vida mais descansada em Inglaterra que aquela que estavam a ter em Portugal. Nem da parte das autoridades, nem da parte da comunicação Social.

http://benfica-fc.com/slbenfica

MFQ disse...

A expressão “não acredito!” aplicada a este caso parece-nos cada vez mais questionável e desactualizada. A vida ensina-nos que as certezas de hoje podem transformar-se rapidamente em dúvidas pertinentes, por vezes demasiado cruéis e surpreendentes.

O mundo dos homens está a revelar-se demasiado complexo e indecifrável. Paralelamente com o mistério do desaparecimento de Maddie, o impacto do caso Joana na opinião pública foi substancialmente diferente. Interiorizou-se de imediato a versão do homicídio. Era uma criança pobre e feia, logo, passível de ser “descartável”. Maddie era o oposto. Tinha tudo para ser adorada por todos, principalmente pelos seus pais.

Eu também sou dos que não acreditam. Ou melhor, já passei para o patamar dos que não querem acreditar, ainda que a realidade teime em passar à frente dos meus olhos.

MFQ

Marco António disse...

Não quero acreditar mas, em boa verdade, não posso garantir que não haja razões para tal, que aos pais de Madeleine McCann possam ser atribuídas culpas directas, ou indirectas, no seu desaparecimento e digo-o, essencialmente, por razões de duas ordens: afectivas, talvez as mais importantes e que me provocam maior rejeição, e as de uma eventual encenação/representação tal é o elevado desempenho dos “actores” envolvidos.

Não quero acreditar que o casal McCann, ou um deles, esteja envolvido no desaparecimento da sua filha Madeleine e, muito menos quero acreditar na capacidade de teatralização que um pai, ou ambos, o que ainda provocaria maior espanto, perante um facto tão hediondo, tenha tão elevados dotes, pela negativa obviamente, para protagonizar, durante tanto tempo, um papel que só poderia estar ao alcance de alguns, poucos, dos melhores actores profissionais deste mundo.

Tenho para mim que o casal McCann é o principal responsável pela hiper mediatização do caso do desaparecimento da pequena Madeleine -para os que acreditam no seu envolvimento talvez tenha sido uma estratégia ardilosa para desviar as atenções e fazer concentrar as suspeitas, buscas e diligências, apenas num caso de rapto, com fins pedófilos ou não -, e que à medida que as investigações foram evoluindo e que acabaram por tomar o rumo que hoje se conhece -bem diferentes das de um caso de rapto e com fortes suspeitas de um homicídio – tornaram-se vítimas, e fizeram passar a mensagem da vitimação, através dos mesmo canais mediáticos que, profusamente e durante largo tempo, utilizaram para manter a sua imagem incólume aos olhos dos investigadores e da opinião pública mundial e até do Papa.

A opinião pública está hoje dividida em torno deste caso não gozando o casal McCann das “boas graças” que viveu durante mais de três meses sobre o desaparecimento da pequena Madeleine; as investigações continuam a decorrer, a qualidade das nossas polícias vai alternando ao sabor das conveniências de cada um, os envolvimentos políticos parecem existir, o caso parecendo longe do seu fim creio bem que, mais tarde ou mais cedo, os culpados acabarão por ser encontrados.

Há um ditado popular que diz “ Quem não quer ser lobo não lhe vista a pele”, mas agora neste caso e, muito particularmente, para aqueles mais cépticos em aceitar um eventual envolvimento do casal McCann no desaparecimento da filha, onde me incluo, eu deixaria a seguinte reflexão:

- Para se ser cordeiro bastará, apenas, vestir-lhe a pele?

E, por acaso, a vida tem lógica?!
A vida é só vida. E os homens são aqueles seres entre a besta e o deus, como disse Aristóteles. Neste caso ainda não se sabe para onde pende quem.
Acreditar não é saber. Acreditar é de acordo com as convicções pessoais da nossa educação, aceitar ou rejeitar algo. Por isso rejeitamos pais criminosos. O saber é factual. E, por enquanto, ainda não existe.
Especula-se.
Bem hajas pela oportunidade do post que nos leva aos meandros da espécie
Um abraço*