6.10.07

Curiosidades sobre as Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS)




- Na tabela salarial aprovada pela União das Misericórdias Portuguesas em representação das suas filiadas, e pelos Sindicatos em representação dos trabalhadores das IPSS, uma Educadora de Infância no topo da carreira, aufere sensivelmente o dobro de um Médico ou de um Técnico Superior de Serviço Social, também no topo da carreira.


Numa destas IPSS, no ano de 2006:

- A média mensal das pensões de reforma dos utentes que frequentaram o Lar de Idosos rondou os 354,00 euros;
- A comparticipação mensal/utente/mês da Segurança Social(1) para esta valência foi de 320,32 euros;
- O custo médio mensal/utente nesta valência foi de 717,11 euros.


(1) - O Estado comparticipa desta forma todas as despesas correntes da Instituição.

MFQ



9 comentários:

bordadagua disse...

O povo saiu à rua.A bandeira verde e rubre é hasteada nos edifícios públicos.O povo dirige-se para os Paços do Concelho dando vivas à República.

Não não foi hoje.Foi a 5.10.1910........

Hoje o povo está de costas voltadas para as comemorações oficiais.

Porque será?

Manel disse...

Existe uma negóciozinho e um traficozinho de influências nalgumas associações ditas solidárias.

Marco António disse...

Meu Caro,

Quanto à primeira parte do seu post, aquela que estabelece uma relação entre os ordenados de um Educador de Infância e os de um Médico ou de um Técnico Superior de Segurança Social, quero dizer-lhe que fiquei deveras surpreendido com a relação de “1 para 2”: um ordenado de um Educador de Infância igual a dois ordenados de um Médico ou Técnico Superior de Segurança Social; e, quando a mim, só há uma razão que pode explicar o elevado desnível existente e que se prende, exactamente, com a maior capacidade negocial e reivindicativa dos Sindicados dos Professores.

Quanto à segunda parte do seu post, penso mas não garanto, poder estar a estabelecer alguma confusão aos leitores deste Blog, quando afirma que a média de pensões de reforma dos utentes que frequentam o Lar de Idosos ser de 354,00 Euros; refere-se, de facto, a Pensões de Reforma que têm subjacentes carreiras contributivas a rondar os 40 anos ou, como eu penso, reporta-se a uma média de massa monetária resultante de um “mixed” de pensões de reforma com carreira contributiva completa, pensões com curta carreira contributiva, pensões de invalidez e pensões sociais de sobrevivência?

Penso que em qualquer das circunstâncias o valor não será muito elevado mas convirá, permita-me a expressão, não somar alhos com bugalhos para que depois, ao apurar-se um quociente, a tal média, se saiba do que estamos a falar.

A comparticipação mensal/utente pensionista da Segurança Social, diz o Senhor, é de 320,32 Euros o que, obviamente, não é muito uma vez que é um valor indexado às já referidas pensões, também elas baixas, mas seria bom que se dissesse que aquela comparticipação corresponde a 90% do valor das pensões, valor que, percentualmente, até se pode considerar bastante elevado, ficando como remanescente, em média por utente, apenas e só, 34,00 Euros para as agulhas e alfinetes como se costuma dizer…

Por último, o custo médio/utente no valor de 717,11 Euros, confesso que pensava que era mais, e a pergunta que se coloca é a seguinte: de onde vêm as verbas para cobrir a diferença entre o valor pago e o custo real de cada utente, diferença que é, mediamente, de 397,00 Euros por utente/pensionista?

À parte das pensões médias por utente, poder-se-iam introduzir outras importantes variáveis que nos pudessem ajudar a perceber melhor as verdadeiras razões do défice existente e, quiçá, a encontrar soluções que viessem a minimizar os prejuízos, soluções que poderiam passar pelos bens e/ou outro tipo de rendimentos dos utentes, pelas disponibilidades económicas dos seus familiares, pela comparticipação das autarquias, empresas, etc. Afinal, o “Custo da 3ª. Idade”, passe a expressão, não deve ser da responsabilidade exclusiva do Estado, mas de todos aqueles a que acabei de fazer referência.

Bom, já vai longo o meu comentário e eu não quero monopolizar a discussão deste importante tema.

Aceite os meus cumprimentos

MFQ disse...

Caro “Manel”,

Registei e agradeço o seu comentário mas não vou pronunciar-me sobre ele.


Caro “Marco António”,

1.ª parte:
Os sindicatos representativos dos trabalhadores das IPSS não têm expressão negocial e reivindicativa, tão poucos são os trabalhadores sindicalizados. Já o sindicato dos professores faz pela vida, o que só lhe fica bem.

Medidas as consequências, temos lado a lado, na mesma Instituição, profissionais com idêntica qualificação (licenciatura) mas com níveis remuneratórios bem diferentes.


2.ª parte:
a) - Os 354,00 euros reflectem a média mensal de todas as pensões de reforma dos utentes desta valência, num universo de várias dezenas de idosos. Sobre este valor é aplicada uma percentagem e assim se chega à mensalidade, paga 14 meses por ano. Aqui a minha abordagem foi meramente estatística e, como diz um amigo meu, a longo prazo a estatística tem sempre razão.

b) - A comparticipação mensal/utente/mês da Segurança Social de 320,32 euros, não tem a ver com o valor anterior. Os dois complementam-se e representam a única receita directa da Instituição para suportar o custo médio do utente, neste caso os 717,11 euros.

Está à vista que no ano de referência esta valência foi deficitária. Pergunta o meu amigo de onde vêm as verbas para cobrir a diferença? Pois, isto às vezes é como no comércio, ganha-se numas, perde-se noutras.


3.ª parte:
O “Custo da 3.ª Idade” tal como o designa, não é da responsabilidade exclusiva do Estado. Os utentes pagam entre 85% a 90% dos seus rendimentos, o que representa cerca de metade da receita desta valência.

Quanto ao envolvimento de outro tipo de intervenientes, nomeadamente as comparticipações familiares, essa solução não é fácil de implementar. A maioria dos familiares dos utentes que recorre a estes Lares subsidiados, não tem capacidade financeira para suportar mais um novo encargo.

Um abraço

MFQ

Colon-o-Novo disse...

Manuel Rosa e o seu Mistério Colombo Revelado fazem parte do
documentário ‘Colón al Descubierto’ día 3 de Outubro no Canal 2 Andalucía. Filmado pela RTVA em Lisboa e Cuba com Manuel Rosa e Carlos Calado.
Emissão em Directo Pela Internet.
Lista de programas diários do Canal 2 Andalucía.

http://www.colombo.bz/events_novidades.htm

Nova Edição de "O Mistério Colombo Revelado" em Espanhol planeada para 2008.

Marco António disse...

Muito obrigado pelo seu esclarecimento mas deixe-me que lhe diga que, ainda assim e por culpa minha, me subsistem algumas dúvidas, nomeadamente no que toca à redução do diferencial entre a comparticipação do utente e o seu custo real: é verdade no que diz, em que, tal como no comércio, “dão uns para os outros”, mas fica-me sempre a dúvida de onde vem o dinheiro numa situação onde, permanentemente, as receitas são menores do que as despesas… a menos que hajam por aí algumas “magias” financeiras que o cidadão comum não domina, como será o meu caso.

Quando afirma que “A maioria dos familiares dos utentes que recorre a estes Lares subsidiados, não tem capacidade financeira para suportar mais um novo encargo”, das duas uma: ou se refere, em sentido restrito, à situação local e que é aquela que o Senhor dominará na perfeição e que eu, desconhecendo em absoluto e pela credibilidade que o Senhor me merece, sou obrigado a aceitar como verdadeira; ou, pela inversa, a sua afirmação é feita em sentido lato, digamos que a nível nacional, e eu aí não poderei estar mais do que em total desacordo consigo.

Sabe meu Caro, esta coisa da subsidiodependência, da comparticipação por tudo e por nada, da “esmifragem”, ao cêntimo, de tudo o que são dinheiros públicos, mais do que uma necessidade económica é, muitas vezes, um terrível vício cultural; por “meio cêntimo furado” que se possa ir sacar ao Estado, é-se capaz de passar umas horas numa fila de espera à espera de uma consulta, aguardar uns meses pela marcação de uma cirurgia, ser-se alvo de comentários e críticas pelos amigos, e pela sociedade em geral, quando se “despeja” um filho num infantário ou um familiar num qualquer lar, ambos a preços bastante mais acessíveis porque subsidiados pelo Estado, enfim, tudo em perfeitíssimo contraste com os sinais exteriores de riqueza e a opulência manifestada no estilo de vida face aos elevados recursos económicos de que se dispõe.

Reitero os meus agradecimentos e, mais uma vez, queira fazer o favor de aceitar os meus cumprimentos.

MFQ disse...

Nos Lares subsidiados pela Segurança Social as “comparticipações familiares” não estão previstas. Há normas distribuídas às Instituições que servem de modelo para os regulamentos internos e contratos de prestação de serviços celebrados no acto da admissão dos utentes.

Estas comparticipações são ilegais do ponto de vista da Segurança Social e muito menos podem constituir-se como factor de preferência na admissão dos utentes.

MFQ

Marco António disse...

“Dura lex, sed lex” o que, traduzido do Latim por um amigo Japonês que domina perfeitamente aquela língua, quer dizer: a lei é dura, mas é lei; por mais severa que seja uma lei, por mais rigorosa que seja uma proibição, deve acatar-se e cumprir-se.

Quanto ao cumprimento da Lei, nada a dizer, é para cumprir!

Quanto aos pressupostos de carácter moral e social em que essas mesmas Leis assentam, é-nos dada a liberdade, a nós cidadãos, de pensarmos e de nos inquirirmos da maior ou menor justeza desses mesmos pressupostos; no caso vertente, entendo eu que esses pressupostos, não foram inteiramente salvaguardados.

È só isto…

bordadagua disse...

Cheguei da minha aldeia algures ba Beira Litoral-nordeste- e trago uma optima impressão do funcionamento do Centro de Saúde e de todos os seus funcionários.

Adorei o folheto com as instruções do funcionamento do Centro.

Pensei para comigo se todos os Centros de Saúde funcionasse assim
este pequeno País seria uma maravilha.

E a Casa da Misericordia com o seu esquema de urgencias atraves de um " Bip " também funciona.

Afinal ainda vale a pena acreditar.

Já agora coincidencia das coincidencias:

-Quando se comemora no Islão o fim do jejum do Ramadão por cá assiste-se a uma cerimonia imponente em Fatima....

Será coincidencia?Não me parece....