8.10.07

Curiosidades sobre as Reclamações Apresentadas pelos Utentes do SNS



Caso o caro leitor, alguma vez na sua vida, se sinta no direito de apresentar uma reclamação, sobre o comportamento de um profissional de saúde com estatuto de pessoa importante, antes de o fazer, pense bem. E depois de pensar mesmo muito bem… desista.

Se ainda assim persistir na ideia, pode acontecer-lhe isto:


- Se a razão não estiver do seu lado (é o mais provável) vai ver que fica muito mais fácil para ambas as partes. Com um pouco de sorte, em menos de um ano, é-lhe comunicado o veredicto final, quando afinal, você já nem se lembrava do caso;

- Se tem o azar da sua reclamação levantar algumas dúvidas no Gabinete Jurídico que vai apreciar a queixa, então é que está mesmo tramado. Vai passar boa parte da sua vida à espera de uma decisão que seguramente não vai chegar em tempo útil.

Tenha sempre presente o primeiro e único mandamento que deve seguir: engolir em seco e não fazer nada.

MFQ



8 comentários:

Pelo sim pelo não, continuo a protestar...mais livro amarelo menos livro amarelo, não custa nada :))

Carminda Pinho disse...

Ó meu amigo, engolir em seco?
Ná...nessa não caio eu. Eles até podem não me dar resposta mas calar-me é que não.
E, essa do livro amarelo pode não dar resultados práticos, mas que tentam logo resolver o problema na hora para evitar que o escrevinhemos, é verdade. Já me aconteceu, no Centro de Emprego de Cascais.
Abraços

Marco António disse...

Meu Caro MFQ,

Vai ter de fazer o favor de me perdoar mas, confesso, que não ficaria de bem comigo mesmo, se não aproveitasse o ensejo para, a exemplo do que aqui tenho feito muitas vezes, assumir o sempre difícil, e às vezes incompreendido, “papel do diabo”.

E a questão é muito simples:

- Reclamações injustas e/ou pouco pertinentes, têm como prazo de resposta um pouco menos de 1 ano;

- Reclamações justas e/ou pertinentes, têm como prazo de resposta as “calandras gregas”;

Este cenário, ao que diz, acontece quando estão em causa um “Profissional de saúde com estatuto de pessoa importante” e então as perguntas que lhe coloco são as seguintes:

- O que é que se pode entender como “Profissional de saúde com estatuto de pessoa importante”?

È que eu tive oportunidade de me habituar a conviver com alguns profissionais da saúde, não com estatuto de pessoa importante mas, o que é, manifestamente, pior, com a presunção duma importância que jamais tiveram.

Por último, e talvez mais difícil de responder, não a pergunta óbvia do que é que pode ser feito para diminuir os prazos das reclamações, essa resposta não me interessa, prefiro ter uma atitude mais positivista e, como tal, o que eu gostaria de lhe perguntar é o que pode ser feito para que não haja lugar a reclamações, justas, ou injustas, de Profissionais da Saúde, com ou sem estatuto, com ou sem a presunção de importantes?

Se outro interesse esta minha”interpelação” não tiver, pelo menos, assim espero, servirá para animar um pouco as hostes mais ou menos adormecidas, a quem, de resto, lanço um repto para deixarem as suas opiniões.

alentejodive disse...

Seja qual forem as circunstâncias, numa relação "Prestador de Serviços de Saúde - Utente dos Serviços" há sempre algumas regras ou normas que devem ser tidas em conta. As do bom-senso costumam ser suficientes.

Nesse tipo de relação, estão à partida definidos os limites aos quais cada uma das partes deve obedecer. Tanto o utente/cliente como o Profissional de Saúde, que ali se encontra em representação de um determinado Prestador do Serviço (Hospital, Centro de Saúde, etc.). Em casos normais, essa relação corre dentro do esperado. Sem problemas de parte a parte.

Quando a relação entre as partes não seja a expectável, algo correu mal. Nesses casos, estão previstas e tipificadas as ferramentas legais a que cada uma das partes pode recorrer, no caso de se sentir lesado.

Não o fazer é também uma opção. Mas não pode, de forma alguma, ser considerada uma imposição. Há sempre uma qualquer forma de manifestar desagrado ou indignação.

Isto, se quisermos acreditar que ainda vivemos num Estado de Direito.

MFQ disse...

Agradeço todos os comentários e interpelações mas desta vez não vou poder desenvolver o tema como eu próprio gostaria.

Tentei passar uma mensagem, cabe aos leitores interpretar o significado do que escrevi e a minha escusa em aprofundar estes conceitos.

MFQ

Marco António disse...

Compreendo e respeito a opção do nosso MFQ em não querer adiantar-se muito em detalhes sobre este tema tão delicado; qualquer afirmação ou insinuação, ainda que verdadeira e fundamentada, mas que fosse susceptível de melindrar os tais ditos “importantes”, poderia provocar um efeito perverso no bom relacionamento, inter-pares do mesmo ofício…

Se bem interpreto o sentimento que lhe vai na alma, deixo-lhe uma expressão, um tanto cinegética e própria da época que atravessamos: Há lebres que levantamos, mas que não podemos matar…

Quanto ao comentário de “alentejodive”, só posso dizer, inteligentíssimo, e feito com uma subtileza digna de realce: sem afirmar nada e, consequentemente, sem se comprometer com coisíssima nenhuma, deixa no ar algumas, importantes, reflexões que podem contribuir para uma melhoria do quadro actual; o facto de ter trazido à coacção a figura do utente pareceu-me importante já que, não raras vezes, a insatisfação no serviço prestado se fica muito mais a dever aos padrões de exigência, algo desajustados, dos utentes, do que, propriamente, à qualidade, intrínseca, do serviço que lhes é prestado.

Utentes e prestadores de serviço, todos terão os seus dias, as suas horas, as suas razões de queixa, as suas diferentes formas de interpretar o “dever” e o “direito”; o importante é que sejam encontradas plataformas de entendimento e de cooperação entre todas as partes envolvidas, das quais resultem índices de satisfação mais elevados para todos e, de tal modo, que descendo, significativamente, o número das reclamações, o prazo da conclusão dos processos -afinal, o nosso tema central -, se possa tornar num assunto marginal e de somenos importância.

Blog nomeado na minha «corrente de amizade»no Feelings na próxima publicação do 10 de Out. Conto com a presença, é um agradecimento singelo pelo apoio que me dispensaram num momento frágil de saúde.
Entretanto, deixo muitos ♡  ♥Beijos    ♡    ♥Beijos      ♡       ♥Beijos

♥Beijos    ♡      ♥Beijos       ♡   ♥Beijos ♡   

A.Batista disse...

"engolir em seco e não fazer nada "
isto seria a forma de comportamento do antigamente, na minha opinião devemos sempre protestar e escrever de preferência sempre que em consciência estamos a ser mal atendidos e principalmente dizer aos profissionais de saúde que estão para servir os utentes e não para se "servirem" do sistema.
Como em tudo na vida há o bom e o mau e a " toca serve a quem serve"
A.Batista
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