20.11.07

Um cartune por semana





Este Cartune é dedicado ao nosso leitor e comentador Marco António

Em Portugal, país que é obra de soldados, em que até a conquista da liberdade e da democracia é obra de soldados, os veteranos sempre foram tratados “abaixo de cão”.

Lamenta-se o amigo Marco António da miséria de pensão que foi prometida aos ex-combatentes das guerras do Ultramar, e que não foi paga…dos adiamentos sucessivos do pagamento anual…E então os milhares de ex-combatentes que sofrem de doenças adquiridas em campanha, desde o “stresse pós traumático” ao “alcoolismo”, e o tiro que levou aos vinte anos e hoje não o deixa trabalhar, e as noites de cacimbo dormidas na mata, e as águas insalubres que bebeu, e a assistência médica que não tinha, e…..?

Meu caro, essa pensão nunca será paga, o problema resolver-se-á biologicamente com a extinção natural da espécie…repare que os mais novos dos ex-combatentes terão hoje mais de cinquenta e cinco anos, e os mais velhos já estão com os “pés para a cova”, e algum milhares emigraram ou já morreram, mais meia dúzia de anos e o problema está resolvido…

Não leve a mal o tom tão ligeiro como falo do assunto, também eu um dia saí da Rocha Conde de Óbidos para o Ultramar, também tenho muitos companheiros que hoje sofrem na carne e no espírito esses anos de guerra, também eu carrego “os meus fantasmas”.

Mas o que é que isso hoje interessa?

Quantos dos nossos governantes se deram ao trabalho de reflectirem cinco minutos no nosso passado recente?

Receba um abraço solidário.

Mourato Talhinhas

P.S: Este cartune é dum autor norte-americano, país que anualmente homenageia os seus veteranos, povo que tem orgulho nos seus soldados.



Nota do Administrador do blogue:

Este post foi "trazido para cima", em face da oportunidade e da pertinência, tanto do próprio texto como dos comentários já publicados. Agradeço a compreensão.
(inicialmente publicado ontem)



11 comentários:

bordadagua disse...

Amigo Moutal

Boas festas natalícias cá do Bordadagua.

Gostei do seu artigo mas.....mas....

Porque é que há combatentes a receberem pensões chorudas e outros não levam nada .

Será que há combatentes de 1ª, de 2ª,e de 3ª????

Sabe que é verdade ou quer exemplos devidamente fundamentados?

Até breve e cuidado com o temporal abrigue-se não se constipe senão ficamos com um ex-combatente a menos e nós precisamos de si para nos unirmos contra o usurpar dos nosso direitos.

MouTal disse...

Meu caro "Bordadágua, eu sei isso e muito mais...
Este sempre foi um país de "chico espertos", e nem o meu caro amigo sabe da missa metade.
Há os de 1ª, 2ª e de classes especial...
Mas isso não invalida nada do que eu escrevi.
Também o posso informar que eu nada recebo, não por não ter direito, mas não me sentiria bem, quando milhares de outros ex-combatentes muito mais necessitados do que eu, nada recebem.
Mas isto penso eu, porque tenho mau feitio.
Receba um abraço.

Marco António disse...

Quero agradecer ao Caríssimo Moutal a simpatia e gentileza que teve para comigo ao dedicar-me este seu post. Muito obrigado!

O tom ligeiro com que o faz, e a apreciação é sua, não anda muito longe daquele que eu utilizei no meu comentário, tom que me agrada particularmente e que uso com frequência; o facto de se utilizar um estilo mais informal, mais de “mangas arregaçadas”, não é sinónimo de que aquilo que se diz, ou escreve, não corresponde, integralmente, á verdade e que não tenha importância relevante, como é, manifestamente, o caso deste seu comentário.

O Senhor foi mais longe, e muito bem, não tendo confinado o seu comentário à miséria das pensões, isso, talvez, seja o menos importante se tomarmos em linha de conta o verdadeiro ostracismo a que os ex-combatentes, incompreensivelmente, têm sido votados pelos sucessivos governos e por alguma parte da sociedade civil.

Não poderia estar mais de acordo consigo quando, ironicamente, afirma que os graves problemas que afligem os ex-combatentes só terão uma solução de ordem biológica, é muito triste que isto tenha de ser dito, isto é, que será o rolar dos anos -provavelmente não muitos devido á idade e ao mau estado físico e psicológico em que muitos dos nossos se encontram - que acabará por os resolver, lenta e morbidamente.

Reitero os meus agradecimentos iniciais e permito-me enviar-lhe um forte abraço, abraço que gostaria de tornar extensivo a todos os nossos antigos Camaradas, no sentido mais genuíno do termo, de resto não reconheço outro, que tendo lutado nas nossas ex-províncias ultramarinas, com muita honra e pundonor, em defesa da sua Pátria - à época era assim, e não devemos ter vergonha de o dizer! – e que hoje se sentem totalmente abandonados.

bordadagua disse...

Combatentes,ex-combatentes.....

Nos EUA tudo se resume aos chamados Veteranos .São mais práticos e funcionam.

Por cá temos :

-Liga dos Combatentes
-Associação do 25 de Abril
-Associação dos Comandos
-Associação dos Boinas Verdes
-Associação das Forças Especiais

-Associação dos Veteranos da Guerra

-APOIAR
-ASMIR

etc...etc....etc...

Ninguém se entende e quando os políticos pedem aos militares para se organizarem o que acontece é mais uma direcção,é mais um presidente...e não saímos da "cepa torta".

Apesar dos divisionismos do tipo "clubista" foram as Associações estranhas à Liga que fizeram manifestações e sairam à rua embora os resultados não tivessem sido muito positivos mas conseguiram alguma coisa.

Depois para agravar a situação ainda temos:

- o dia do combatente versão oficial do governo:
-comemora-se na Batalha junto do túmulo ao Soldado Desconhecido a 9 de Abril;

-junto aos Jerónimos comemora-se outro dia do combatente que já não sei bem qual é ,mas pretendeu-se copiar a versão americana de Arlington,junto ao Forte do Bom Sucesso,colocando os nomes dos combatentes falecidos na Guerra Colonial;

...e não saímos da cepa torta...

Os combatentes acabam por ter aquilo que os seus antigos comandantes quiseram organizar:
-um monumento
-um almoço
-uma promoção pessoal
......etc...etc

e o " Zé combatente" nem sequer tem direito a uma consulta medica num dos vários Hospitais que as F.Armadas ainda dispõem.

Bom Natal a todos os combatentes que não recebem a tal "pensão".

MFQ disse...

São compreensíveis estas “pequenas” revoltas que nos mais variados sectores e com diferentes incidências vão atormentando os nossos dias. O nosso Estado não consegue gerir consensos, muito menos os que têm a ver com a protecção dos cidadãos. A saúde e a segurança social tratam-nos mal. Nesta selva do desenrasca tudo é efémero, nada é seguro.

A série documental sobre a guerra colonial, da autoria de Joaquim Furtado, está aí à disposição do público interessado, ao que parece com boa receptividade das audiências. É bom que se dê a conhecer o nosso passado recente, desta forma isenta e descomplexada. Está de parabéns a RTP.

Já quanto aos adiamentos sucessivos das decisões dos dois últimos governos sobre a protecção dos antigos combatentes, eles reflectem bem o país que temos: um país adiado, de decisões adiadas, com uma justiça morosa e inconsequente, que convida cada vez mais ao suborno, à corrupção e ao abuso do poder.

Os nossos ex-combatentes são apenas mais um sector injustiçado da nossa sociedade, e como a idade já começa a pesar para boa parte deles, o problema resolve-se por si mesmo. Tal como se passa com os idosos. É tudo uma questão de paciência.

MFQ

MouTal disse...

Meus caros amigos "bordadágua","marco antónio" e "mfq", é reconfortante ler os vossos comentários, qualquer deles são uma mais valia acrescentada ao tema...porém fazem falta comentários da malta mais nova, daquela que já nasceu no pós 25 de Abril e que destas guerras só ouviu falar aos pais e aos avós.
Faço-vos esse desafio...
Um abraço para todos.

Marco António disse...

Porque se falou aqui em pensões de 1ª., 2ª. e de luxo, e no sentido de dissipar todas e quaisquer dúvidas, eu gostaria de revelar a este vasto “auditório” que é o AL o seguinte:
Usufruo, na minha qualidade de ex-combatente no ultramar, com a especialidade de atirador de artilharia (de G3, entenda-se), vejam bem a coincidência, e depois de 26 meses no cenário de operações – serviço militar prestado por antigos combatentes em condições especiais de dificuldade ou perigo a que se refere a Lei nº, 9/2002 de 11 de Fevereiro - integrado numa companhia independente de intervenção composta, maioritariamente, por Madeirenses, ilha onde permaneci cerca de 5 meses, de uma pensão com o valor anual de 187,97 €; este valor é deduzido, muito natural e heroicamente, da taxa de IRS onde na minha qualidade de reformado estou integrado, e como nesta matéria a Segurança Social foi mais generosa para comigo depois de 38 anos de descontos a uma taxa da ordem dos 35,0% (23,5% a entidade patronal e 11,5% o beneficiário) com incidência sobre salários acima da média devo confessar, compreenderão que a taxa de IRS não será assim tão baixa quanto isso.

Como acabei de afirmar a taxa de IRS, fruto da minha “generosa” pensão social proveniente do meu trabalho, e dos meus descontos + entidade patronal, ao longo de quase 4 décadas, tem incidência directa sobre a mísera pensão de ex-combatente, e estamos perante duas pensões absolutamente distintas, pelo que a pensão de ex-combatente, além de mísera, é fiscalmente discricionária.

Se no espírito do legislador os critérios que levaram ao cálculo das pensões dos ex-combatentes tiveram por base, exclusivamente, o tempo decorrido “em condições especiais de dificuldade e perigo”, rejeitando assim, e bem, postos ou patentes e correspondentes ordenados, tudo numa óptica de absoluta igualdade -á parte aqueles casos, excepcionais, que ninguém sabe muito bem como aconteceram -, não se compreende agora que o Fisco, por mais fundamentalista que seja na ânsia de uma qualquer redução mais ou menos deficitária, venha agora tornar diferente aquilo que, no espírito do legislador, se entendeu que deveria ser igual.

Caro Amigo Moutal:

Este tema é um bom exemplo, do longo caminho que a nossa sociedade, ainda tem de percorrer para se tornar mais digna. A problemática dos ex-combatentes infelizmente, só tem mesmo a solução que meu amigo preconiza, a natural extinção dos mesmos.
Sempre duvidei da intenção política de resolver as más consciências através da atribuíção de pensões, que deu no que deu, bem como no apoio médico e psicológico aos ex-combatentes, que igualmente não passa de uma miragem.
Assim que morrer o último combatente, vai ver que, aí sim se vão tirar dividendos políticos com homenagens grandiosas e com discursos prosaicos sobre a defesa da Nação e da Pátria e do quanto todos nos devemos orgulhar dos nossos Soldados. Até lá são apenas uns "chatos" a quererem reformas chorudas, é assim que são vistos por grande parte dos seus concidadãos, a maior parte deles que nem sabe o que foi este episódio da nossa História.
Não podia concordar mais consigo, sobre um povo onde os Soldados, são repeitados e venerados, independentemente das motivações das suas intervenções armadas, do que a Americana onde se cultivam valores, por aqui há muito esquecidos.

Um abraço a todos!

bordadagua disse...

Não posso concordar com o amigo MFQ pois o que temos vindo a assistir ao programa da RTP não deixa de ser "suspeito" em termos pliticos e aguardemos a versão da SIC ou da TVI ou da CNN sobre o que foi a Guerra Colonial.

Digo isto porque até o programa dos Pros e dos Contra também deixou no ar muitas suspeitas quanto ao criterio dos convidados na medida em que lá estiveram pessoas a falar que nem sequer à guerra foram.

E repito sr.MFQ, o governo do PS está por detrás de tudo isto até provas em contrário.

A figura mais importante da comissão parlamentar de Defesa é do PS, e só tem lucrado com isso porque veja só :

-abandonou a carreira militar para se dedicar por inteiro à política e eis senão quando foi promovido ao posto de Coronel sem ter sido Tenente -Coronel,pois saiu da tropa po vontade propria-e foi esperto-no posto de Major!.......
não foi promovido por distinção mas sim na secretaria.....


Sr.MFQ falo de um deputado do PS.

MFQ disse...

Caro amigo Bordadagua

Discordo da sua análise sobre a série documental “A Guerra”. A avaliar pelos primeiros episódios parece-me um excelente trabalho do jornalista Joaquim Furtado, grande profissional, apenas com o senão de ser demasiado sério e isento para merecer outro destaque por parte da RTP.

Voltando à série, houve a preocupação de ouvir as duas partes, colocando de lado, tanto quanto possível, as questões ideológicas. É a história que está ali a desfilar aos nossos olhos e este é o trabalho que faltava para dar a conhecer os porquês do que viria a tornar-se inevitável.

Quanto à sua alusão ao deputado do PS ou a outros políticos e militares envolvidos, não estou a ver do que se trata.

MFQ

bordadagua disse...

Morte de um militar ...lá longe...fora do seu País e da sua terra Natal....no AFEGANISTÃO.

Paz à sua alma.