20.11.07

Valorizar, quando isso é devido




Hoje fui ao dentista. Teve que ser. Como é de esperar, não gosto mesmo nada de lá ir. No entanto, desde que comecei a ir à "minha actual dentista", encaro estas visitas/consultas de uma maneira mais positiva. O que só abona a favor da qualidade do serviço prestado. E da simpatia que ali se respira.

Apesar disso, só lá vou quando tem mesmo que ser. Mas quando vou, já não me custa tanto ..... obrigado Dra Cristina Brites.



4 comentários:

Marco António disse...

Pois eu estive ontem, segunda-feira, no meu dentista, concretamente a fazer uma sessão de destartarização maxilar; confesso que também não gosto muito de lá ir, porque fico sempre um bocadinho mais “pobre” -se bem que, devo dizê-lo, os preços praticados estejam em linha com a concorrência - mas, sobretudo, porque não me agrada nada estar mais de meia hora de boca aberta a mexerem-me com brocas, ferrinhos e não sei mais o quê…

O meu dentista funciona numa torre de 13 andares na Avenida das Forças Armadas, ali para os lados da Universidade Católica, ocupando, que eu saiba e uma vez que já passei por todos eles, nada mais nada menos do que 6 andares, do oitavo ao décimo terceiro; no 13º. piso funciona a recepção central, onde é dado a cada paciente (não cliente nem doente, note-se) um “bip bip” que vibra e emite um sinal sonoro quando é chegada a nossa vez, existindo depois outras recepções de apoio, uma por cada piso, e deste bares, plasmas, emitindo cada um em seu canal, jornais e revistas, exposições de arte e cultura, enfim, tudo de superior qualidade e de muito bom gosto.

Mas vem tudo isto a propósito da recordação que me vem à memória sempre que lá vou e que é, exactamente, a do meu primeiro dentista, por quem tinha uma estima muito especial, e isto não era fácil de dizer de um dentista quando se tinha sete ou oito anos de idade, pessoa do qual só mesmo os mais velhos se recordarão, e que era o saudosíssimo sargento Aparício.

Desde a cadeira, de madeira, lembro-me perfeitamente, aos instrumentos utilizados, qualquer coisa semelhante às turqueses ou alicates de um qualquer profissional de outra área, às gigantescas seringas para as anestesias que nos deixavam a boca “encortiçada” para o resto do dia, à sangria que nos era provocada pelo arrancar de um dente, digo bem, arrancar e não extrair um dente, às bolas de algodão, amarelo, embebidas em tintura de iodo, que ardia como ácido sulfúrico, para estancar o sangue, enfim, uma verdadeira aventura cada vez que se tinha de ir ao Sr. Aparício.

O Sr. Aparício, pessoa muito generosa e extremamente simpática, era em Vendas Novas, na distante década de 50, já lá vão, portanto, uns bons 50 anos, o único dentista, que me lembre, a exercer aquela profissão, ainda que em “parte-time” dada a sua condição de militar.

Cheguei a ouvir dizer que o Sr. Aparício, numa fase adiantada da sua vida e quando a vista e os ouvidos já o traiam, algumas vezes terá arrancado o dente saudável em vez do cariado, mas isso eram estórias que se contavam e cuja veracidade ficará, para sempre, por confirmar.

O meu dentista actual, como terão compreendido pela descrição que vos fiz, está, a todos os níveis, nos antípodas em relação ao meu primeiro dentista; ainda assim, quero confessar-vos com a máxima honestidade, que guardo com muita saudade e carinho a memória do meu 1º. Dentista.

Porque não quero que me acusem de estar a invadir os “domínios” do nosso ilustre Artur Aleixo, fico-me por aqui…

alentejodive disse...

Não serão só os mais velhos que se lembram do Sr. Aparício.

De facto, residi durante uns anos mesmo em frente da casa do Sr. Aparício, na década de 80. Na altura, já ele tinha uma idade avançada mas, curiosamente, nos primeiros tempos penso que ainda recebia "doentes" em sua casa.

Lembro com muita simpatia a pessoa e a imagem do Sr. Aparício, bem como situações com a sua graça, ... que ficarão para outras alturas.

MouTal disse...

Um gajo vai ao dentista, por rotina e porque sim, apenas por isso
- E o que fez o dentista?
- Só para chatear, mete anestesia até à raiz do cabelo, e decide destruir um restauro
- E porquê?
- Para chatear, já disse. Bem, se calhar foi para ver se era capaz de fazer melhor
- Conseguiu?
- Conseguiu sim senhor, me deixar com uma dor do catano!
- Nesse caso o melhor é voltar ao dentista
- E foi o que fiz
- Então o problema já foi resolvido
- Não, a besta fez o favor de me arranjar uma dor ainda maior que a anterior
- E agora?
- Neste momento estou a escrever o texto para colocar na lápide do meu dentista

Roubada no http://igagalhofa.blogspot.com

Marco António disse...

“… não serão apenas os mais velhos…” ou o amigo João Fialho já tem o privilégio de fazer parte do ilustre Clube dos Menos Jovens?

È outra leitura possível, ainda que, como diz, tenha conhecido o protagonista do meu comentário numa fase já muito adiantada da sua vida.

De uma forma ou de outra, ambos comungamos da mesma opinião quanto à simpatia do Sr. Aparício e, no meu caso, devo recuar três décadas, anos 50, para reviver os acontecimentos descritos, outros tempos não é verdade?

Aceite os meus cumprimentos